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domingo, 11 de maio de 2008

Uma carta ao amor - poesia teatral

Amor, amor perdido. Dor de cotevelo, a
amada que tenho-lhe tanto desprezo.
É um desejo de seu beijo, é uma flor que
tenho receio...
Amor, amor perdido, que nunca foi
correspondido; que amor será esse?

aquele que em uma viagem foi
esquecido; da lucidez foi liquidado,
da minha vida foi vencido.
Amor, amor pedrdido, onde estáis que
estás tão esquecido?
Que amor será esse?
De um sonhador iludido, na fábula que
um dia estivesse existido.
Amor, amor não dominas que já tem
domínio.
Amor, amor já foi planejado o seu
extermínio. Amor, amor que não
existe; amor, amor sem destino.
Que amor será esse?
Um amor vingativo.
Amor, amor, por que estás sempre
mentindo?
Amor, amor eu finjo que acredito...
Amor, amor, por que és tão
destrutivo?
Amor, amor isso é um mau caminho.
Amor, amor: um anarquista do amor,
que como eu não sinto dor.
Que amor será esse?
Amor de inverno seco. Amor, amor
indolor.
Amor, amor perdido; amor de platéia,
o amor é ridículo. O amor humano, é
uma aberração!
Que amor será esse?
Um amor de circo.
Que amor será esse?
Um amor cancerígeno.
Amor, amor nocivo.

"Uma carta ao amor", poesia criada em 13 de fevereiro de 2005

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Caminho. Poesia teatral.

O caminho é longo e ensolarado, a sede é
seca e esgotável. A ferida é ardente e
Súlfurosa, o oxigênio é pouco e está em
falta. Mas esse caminho ainda é longo,
longo é esse caminho.
O perigo é o alerta do vacilo. A dor é
a conseqüência do destino. A cegueira
são os olhos cegos adormecidos, e o
escuro é o seu pior inimigo.
Mas esse caminho ainda é longo,
longo é esse caminho.
A alegria é o disfarce da tristeza.
A doença é a sina de toda a vida.
A verdade é vulgo da mentira.
A derrota a sombra da vitória.
Mas o caminho ainda é longo,
longo é esse caminho.
A loucura é um presente da
vaidade. O sexo, o elemento
da produtividade. A ilusão, o
fruto da lucidez.
Mas o caminho ainda é longo,
longo é esse caminho.
Os gritos são como se fossem
tiros.
As armas são como se fossem
pessoas. O fogo faz o papel das
águas; as águas fazem o papel
do fogo.
Mais o caminho ainda é longo,
longo é esse caminho.
A velhice é a ponte de toda a
experiência. A juventude é a
ilusão da sabedoria.
A inteligência é o acaso, a
negligência um descaso.
Mas esse caminho ainda é
longo, longo é esse caminho.
A esclerose é uma metamorfose.
A lucidez é o fim daquilo que já
não existe mais.
A voz é agora um consolo; a força
um álibe.
A sorte um jogo de azar.
Mas caminho ainda é longo, longo
ainda é esse caminho.
A escravidão é um documento
assinado.
A honestidade é algo em vão!
A dignidade é pra vida inteira.
A palvra é verdadeira.
Mas esse caminho ainda é longo,
longo ainda é esse caminho.
A força é uma virtude;
O corpo é o equlíbrio. A mente é
obscura. A memória é duvidosa.
Mas esse caminho ainda é longo,
longo ainda é esse caminho.
A solidão é silenciosa.
Os dias estão cada vez mais curtos.
O fim, cada vez mais próximo!
E a crença que acrescenta, o mundo
ópio...
Mas esse caminho ainda é longo, longo
ainda é esse caminho.
O sol é um vulcão!
Seus raios, são as chamas. E o inferno,
ou o céu, são agora um convite.
Mas esse caminho ainda é longo, longo
ainda é esse caminho.
O descanso é merecido.
O sofrimento aliviado.
A vida foi uma estrada...
A morte uma caixinha de surpresas.
A descoberta é o fim do enigma, e o
enigma o fima do caminho.

"Caminho", poesia criada em 27 de novembro de 2003