Mina de rua, não sei qual é a tua; seus olhos
estão vermelhos, sua vida negra e escura.
Onde arruma esse dinheiro, conhece a lei
da rua.
Mina de rua, a vida é quem te acusa: "é
cola o dia inteiro, que substâncias você
usa! Sabe o que faz, diz o que pensa; já
não é menina, pois já é adulta!"
Contrariada ao poder, enfrentando os
fracassos; de treta em uma noite, de
chacina no feriado.
Incendeia o "abençoado" de trago, em
trago. E a insensatez de correr atrás,
de procurar algum trabalho. Sua
tragetória se guiando ao contrário. De
memórias dessa vida crua e suja! O
corpo inteiro calejado; dentro de casa
violado, violentado como de uma puta.
Mina de rua, não sei qual é a tua; odeia
a burguesia, detesta malandro agulha.
Seus olhos estão vermelhos, sua vida
negra e escura.
Mina de rua, a vida é quem te acusa:
"a "esmeralda" o dia inteiro, é vício, é
loucura. Deve dinheiro pra beltrano
e está com a vida curta".
Ela conhece bem a lei da rua!, Não tem
que pagar, agora vai ter que ir a luta.
Quase não tem o que vestir, agora vai
pra Augusta ficar nua! Ou então morrer
numa tarde de sol, ou numa noite de
lua...
Mina de rua, sei lá o que você fuma; te
acharam no acostamento, toda estripada
lá na Dutra. O sistema é uma doença,
liberdade é a cura.
Lorotas de boteco, que recriam a arte
bela, nos depoimentos de uma mina de
rua. Na escola da vida, dita cuja, que
tanto soca e tanto chuta.
"Mina de rua", poesia inspirada em homenagem a AndréiaX, covardemente assassinada em junho de 2001, aos seus 21 anos
quarta-feira, 18 de junho de 2008
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